31 de jul. de 2009

Minha vida estudantil/1.

No ano do vestibular, eu fazia tudo menos estudar. Namorava às pampas, saía e voltava para casa de manhã – ou nem voltava, ficava na morada de alguma amiga e nem avisava; ou seja, além de não estudar, tampouco dava satisfações em casa. Restava a minha pobre mãe telefonar para meu celular para ver se eu ainda estava viva. Eu não costumava ter dinheiro sobrando, mas isso não chegava a ser grande empecilho. E, depois de fazer o que bem entendia e saborear os prazeres juvenis, eu dizia a mim mesma: "vou estudar, preciso estudar". Mas isso raramente acontecia.
Uma dessas ocasiões, me recordo bem, foi quando um pretendente chegou para uma visita, em pleno domingo de estudos. Eu já estava cansada de ver tantos números e fórmulas matemáticas após a eternidade de 40 minutos, quando ele irrompeu em minha pacata residência e minha mãe o convidou para almoçar. A presença dele já não era interessante para mim, então fulminei minha mãe com um olhar diante do convite, mas ela nem notou (ou notou e me ignorou). Ficamos, o rapaz e eu, na mesma mesa: eu tentando ou fingindo que tentava estudar; ele se entretendo ou fingindo que estava entretido com uma revista – isso até o almoço ficar pronto.
Almoçamos juntos, depois ele foi embora. Nem lembro se tentou me beijar, mas isso é o menos importante; eu só queria que ele sumisse, para que não pensasse em tomar minha atenção dos estudos. Era bobagem minha. Na verdade, ele só queria mesmo comer a comida da minha mãe, que é hummm... hummmm... ai, meu Deus! – é tão gostosa que só de lembrar eu já fico com água na boca. Então, voltando ao domingo: depois que o rapaz se foi, acho que eu fui ouvir música e deixei os livros e as apostilas de lado.
Estudar era um saco, esse papo de vestibular era um saco. O que eu gostava mesmo era de bradar minhas bobagens aos quatro cantos e ler o que me interessava. Vai ver foi por isso que passei no vestibular. Ou vai ver foi por essas coisas que a gente chama de "golpe de sorte". É, deve ter sido sorte mesmo.
Eu estudava num dos melhores colégios de Fortaleza, o Farias Brito. Tinha notas medianas e bolsa de 40%. Não li nenhum, repito, NENHUM dos livros que constavam da lista da UFC ou da Uece para o vestibular daquele ano – apelei para resumos e tudo que aprendi nas aulas. Só gostava mesmo das aulas de História, Português e Inglês – e ainda assim, volta e meia matava as aulas de Inglês, pois julgava já ter visto tudo que ia cair no vestibular durante as aulas no curso de Inglês do Imparh (e era bem por aí mesmo). Nas aulas de Português, eu costumava prestar atenção, mas às vezes desenhava ou fazia observações bobas nas apostilas e também tinha por costume escrever redações que se enquadravam entre a comédia e o pornô. Nas aulas de História aos sábados, eu morria de rir do professor que se fingia de espermatozóide, de criança ou de imperador louco – o nosso professor era um ator, no melhor conceito que a palavra pode adquirir.
E nas outras aulas, conversava com a Débora por papel. Sempre falávamos que o professor Antonino (de Química) tinha uma bunda que dava vontade de apertar. Ou de como o Edilson, um colega de sala odiado pela Deb, era um verme idiota. Inclusive, eu enchia a paciência dela, dizendo que o ódio que ela nutria na verdade devia ser amor, e que eles ainda se casariam. Também falávamos sobre quando iríamos novamente visitar o Marcos Flávio, que era nosso “namoradinho em comum”. Bom, mas o que eu conversava com a Débora merece um post à parte que deixarei para outro dia.
Pois bem, chegou o vestibular. Eu me inscrevi para Direito na UFC, por causa da minha mãe – já que não tinha estudado, ao menos ia tentar o curso que ela queria para mim – o que foi uma grande besteira. Na Uece, não sabia o que poderia ser uma boa opção. Pensei em História, optei pelo Serviço Social – outra besteira. Aí, lógico, eu não passei na UFC, mas só Deus sabe porque, passei na Uece -> Aew, passei!.
Foi duro largar a vida de pré-vestibulanda e ir para a faculdade. Na verdade, o 1º semestre nem foi tão ruim. Mas no 2º eu comecei a pensar o que diabos estava fazendo ali, se minha vontade, desde 2001, era cursar Jornalismo. Aí, eu larguei a Uece, a minha mãe quase teve um troço. Mas o que aconteceu depois é história para um próximo post.

30 de jul. de 2009

Baú do blog/5.

Remexendo nos arquivos do meu blog, achei este escrito.

Quanto tempo perdido por medo de falar!... Mas agora, já não importa.

Eu não costumo me manifestar quando não sei o que dizer/escrever.
Mas às vezes, a gente se sente na obrigação de dizer/escrever algo, então acaba saindo um negócio mal feito.
É exatamente o que estou fazendo agora: um negócio mal feito.
Há dois meses eu queria muito que ele estivesse aqui.
E agora... Bom, agora eu já não tenho certeza disso.
Quando eu achava que ele não viria mais, ele me mandou um e-mail, dizendo que tava tudo certo pra vir, mas sofreu um acidente. Daí, que só depois de se recuperar é que ele vai ver o que fazer.
Talvez a intenção dele nem tenha sido essa, mas esse e-mail me soou como uma indagação. Quer dizer, ele fala que está com planos de vir, mas que por motivos de força maior não pôde. Então, eu acredito que ele queira saber o que eu acho disso.
E agora eu simplesmente não sei como dizer... Poxa, o que é mesmo que eu quero dizer?
Eu podia dizer que ainda estou com saudades, mas já não estou.
Ainda me pego pensando nele de vez em quando. É uma boa lembrança.
É isso: a saudade se transformou em lembrança. Aquela lembrança boa de se ter, de algo que foi legal, mas passou.
Eu podia desejar melhoras, mas isso soaria frio por demais.
Podia exclamar (!) um tanto de coisas, mas esse tanto de coisas esfriou e agora já não tem exclamação; só reticências ou ponto final.
E agora, agora mesmo, tenho aqui meu e-mail de resposta, só esperando pra ser enviado. Eu já li e reli umas cinco vezes. Ele é uma mistura disso tudo que eu podia dizer - porém, certos pontos estão implícitos - pra não dizer inexistentes. Está mal feito, eu sei que está. Sinto que falta alguma coisa. Pombas, o que é que falta???
Vai assim mesmo.
Não consigo mudar mais nada.
...
...
...
Eu podia apagar tudo e escrever uma única frase: "Você ainda mexe comigo". Mas não dá. É o dedo que não quer apertar "delete", é a boca que cansou de suspirar.
O que foi, foi.

[abril/2007].

29 de jul. de 2009

Baú do blog/4.

03 de setembro de 2004.
Pensando em letras:
Eu sempre quis ter um avô. Um avô que dirigisse uma Brasília cor de creme, que lesse histórias para mim, que me dissesse: “Como você cresceu!” sem parecer piegas (será que isso é possível?) e me levasse para tomar sorvete na mesma praça onde ele jogaria dominó com os amigos. Tentaríamos fazer uma casa na árvore (numa mangueira, que existiria na casa dele, claro!).
Eu também queria uma avó. Uma avó que tivesse um quintal enorme, onde eu sentaria para ler meus livros favoritos. Uma avó que soubesse fazer todos os tipos de doces que só as avós sabem fazer (mesmo eu não sendo muito fã de doces), que acobertasse as travessuras da neta, que tivesse um gato chamado Euclides e uma criação de galinhas no fundo do quintal.
Um dia na casa dos avós seria um dia no paraíso. Eu não precisaria de nenhuma outra criança por perto porque aquele universo seria suficiente para eu me divertir. E quando eu crescesse, meus avós me mostrariam as fotos de antigamente. Nós riríamos juntos, na sala de móveis antigos e, claro, duas cadeiras de balanço.
A casa deles teria um jardim com rosas, um muro branco, baixo, daqueles que de um pulo só você sobe e se senta. Teria uma varanda onde eu ia dormir, durante as tardes, numa rede comprada no interior. Antes de ir embora, eu ia merendar café com pão. Todos reunidos na mesa da cozinha: a vó, o vô, o Euclides, a Maria (o braço direito da vovó) e eu.
Mas isso nunca aconteceu.
Minha mãe lia histórias para mim. Eu sempre tomei café com pão na cozinha. No jardim da casa onde passei 11 anos, tínhamos rosas. Meu pai me levava para comer pizza (o que chegava perto de tomar sorvete - tudo guloseima!). Na minha antiga casa, tínhamos uma criação de galinhas e um jardim com várias plantas e dois coqueiros que rendiam cocos deliciosos. Eu lia todos os meus livros favoritos na casa de uma das tias. Tantas coisas parecidas...
Mas meus pais não poderiam dizer: “Como você cresceu!”, já que vivíamos na mesma casa. Não é a mesma coisa ter crescido sem avós. Naquela época, eu não sentia muita falta. E hoje sinto. É estranho. Guardo com todas as forças as poucas lembranças que tenho da avó paterna. As tardes na casa que também tinha rosas no jardim e um papagaio (que depois foi morar conosco) na cozinha. A Maria fazendo café. Todas aquelas folhas no chão do jardim acimentado... O muro branco, e, claro, a cadeira de balanço da vovó. Eu cheguei perto.
Mas isso já não importa. Eu posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que a infância foi o período mais feliz da minha vida.

27 de jul. de 2009

Baú do blog/3.

"Pedidos e pedidos".
(Sexta-feira, 09/02/2007)
Hoje aconteceu algo surreal: fui pedida em casamento. Pior do que receber o pedido foi a minha surpresa ante a pessoa que o fez!
É o terceiro pedido num período de aproximadamente 2 anos e meio.
O primeiro foi feito em meados de junho/2004. Eu estava em casa com Y (importa mesmo o nome?), que na época era meu mais recente ex-namorado. Embora fosse ex, Y e eu ainda trocávamos beijos e fluidos corporais.
Pois bem. Estava eu lá, conversando com Y, até que X aparece. X era outro ex-namorado, anterior a Y. X sabia que Y e eu tínhamos terminado e imaginou que não tínhamos mais nada um com o outro. Por esse motivo, X resolveu comprar alianças e me pedir em casamento. Quando ele o fez, eu comecei a gaguejar e o expulsei, cheia de sutilezas, dizendo que conversaríamos depois.
No dia da conversa, perante minha negativa, brigamos e deixamos de nos falar. Hoje, graças ao tempo e a outras coisas mais, finalmente nos tornamos amigos. Só amigos mesmo. X está namorando e tenho motivos pra acreditar que achou a mulher da vida dele.
Me refiz do susto e levei a vida, até que... Até que veio o segundo pedido, feito em maio/2006. Esse foi mais informal. Z apareceu por volta de 03 horas - da madrugada - me informou que estava indo morar sozinho e me chamou pra morar com ele. Detalhe: Z e eu ficávamos juntos esporadicamente e sequer fomos namorados. Quando Z me chamou pra morar com ele, não nos víamos há cerca de 9 meses. Z me conhecia - e me conhece - bem pouco. Mas definitivamente isso não pareceu empecilho pra que o pedido, por mais informal que tenha sido, fosse feito.
Expulsei Z gentilmente, usando minha mãe como desculpa, quando a verdade é que eu também queria que ele fosse embora. Tempos depois, Z me disse que não estava falando sério. Respirei aliviada, embora tenha minhas dúvidas até hoje.
E o terceiro pedido foi feito hoje. Há cerca de 4 anos eu conheci esse senhor que vende lanches perto da faculdade. Eu sempre parava pra conversar com ele e sempre fiz questão de chamá-lo pela alcunha de "tio" ou de referir-me a ele como "senhor".
Uma vez, o "tio" me chamou pra viajar pro Rio de Janeiro. Fiquei surpresa, imaginando se haveria alguma intenção por trás disso. O pior cego é aquele que não quer ver. Logo, eu me forcei a pensar que ele era só alguém que me estimava como a uma sobrinha - ou a uma filha mesmo, por que não? Que burrice.
Apesar dessa singela forma de pensar, eu neguei, desconfiada ainda. E tratei de não pensar mais no assunto, afinal, nada tinha sido explícito. O "tio" sempre me oferecia café e algum lanche e, ante minha negativa ("Tio, vou comer em casa, que assim eu não gasto!"), ele se punha a insistir. O lanche saía de graça, na maioria das vezes. E eu ficava lá, ouvindo as histórias dele sobre o que quer que fossem.
Então, ontem, depois de mais de um ano sem vê-lo, apareci no ponto ao lado do Shopping Iguatemi, onde ele fica. Contei que estava retomando a faculdade nesse semestre, que trabalhei na Contax até outubro, que finalmente visitei o Rio de Janeiro, terra da qual ele me falava às vezes. Ele me contou que foi operado, que morou cerca de 03 meses no Rio e que conseguiu comprar uma casa na praia. Perguntou se eu tinha casado já...
"Poxa, é só uma simples pergunta", pensei. E disse que não, não estava casada. Mas algo - talvez aquela coisa que chamam de intuição - me fez achar por bem dizer que tinha alguém. E foi o que eu disse. Contei que, apesar da situação não-oficializada - o que me cai muito bem - existe alguém.
Daí, hoje, ele me sai com esta: "Eu quero conversar com a sua mãe". Ontem, ele comentou que mora sozinho, numa casa perto da FIC. Perguntou quanto minha mãe paga de aluguel. Quando comentei o valor, ele falou algo que deu a entender que poderíamos morar lá, que seria bem melhor porque eu poderia ir a pé pra faculdade. A ingênua aqui concluiu que ele queria alugar a própria casa, já que segundo ele próprio, só se utiliza mesmo de um cômodo. Então, quando ele disse que queria falar com a minha mãe, eu imaginei que fosse sobre isso. Ele me indagou: "Você sabe o que eu quero falar com ela, não sabe?". "Ora, imagino que deve ser sobre a casa, que talvez o senhor queira nos alugar...". Nem terminei meu raciocínio porque ele me interrompeu dizendo: "Nããão! Eu quero falar com ela sobre você. Quero falar com ela sobre a gente se casar, você e eu.".
Por pouco eu não derramava o café que estava tomando. Até puxei um banquinho e me sentei, porque na dúvida entre correr ou gritar, acabei mesmo foi paralisada, diante de tamanha sandice!
Eu ri, atordoada, me indagando se aquilo era sério mesmo. Pior que era.
Comecei a reforçar a existência de 'alguém', o que a princípio me impediria de casar com ele. Deus, eu só queria uma forma mais educada de dizer "No fucking way, man!". Mas creio que não fui bem sucedida, pois ele continuou insistindo pra que eu fosse jantar com ele e levasse minha mãe junto.
Ainda o escutei por mais uns 30 minutos, o que me pareceu uma eternidade de horas. Quando vi que não tinha jeito de contornar a situação, praticamente corri atrás da topic que me trouxe salva - mas não muito sã - pro Benfica.
Na topic, eu vim alternando meus pensamentos. Ora, achava a situação toda bastante ridícula e me punha a rir sozinha; ora, me dizia quão idiota eu era em ter me forçado a não imaginar 'outras intenções' por trás de tanta 'bondade'.
Nunca mais tomarei a topic ou o ônibus ao lado do Iguatemi.


Notas: Realmente eu NUNCA mais apareci nesse ponto - pelo menos não enquanto o tio estava lá (ele ficava por um horário estabelecido)... E sobre os pedidos de casamento - esses cessaram de 01 ano pra cá. Vai ver é porque eu já estou casada, mas sabe como é, tem gente pra tudo nesse mundo, portanto é possível que qualquer dia eu venha aqui contar sobre mais algum. Rá, imaginem se eu fosse bonita!...

23 de jul. de 2009

Rendida pelo Twitter.

Mais dia, menos dia, eu me rendo às novidades virtuais.

Bom, o Twitter não chega a ser exatamente novidade, pois já tem lá um tempinho de existência. Mas era novidade pra mim, que ouvia falar, mas nem sabia direito o que era.

Aí, eu recebi um convite de um conhecido com Twitter, para acompanhá-lo lá. Para tal, eu tive que me inscrever e tudo mais. Então, é isso: agora também tenho Twitter.
Meu Twitter