2011 nem começou e já se apresentou em 3 vias.
... Quem sabe se "O viajante" me seleciona como travel writer?
... Quem sabe eu volte mesmo para a facul e busque um estágio?
... Quem sabe eu invista no lance de cruzeiros?
Quem sabe o que será de 2011!...
A vontade q dá é de tentar tudo, e é bem por aí que vou. Atirando pra tudo que é lado, sem saber o que vai dar certo, mas sabendo que alguma coisa vai rolar!
(Meu mal continua sendo querer abarcar o mundo com as pernas)
9 de nov. de 2010
12 de out. de 2010
Sobre sonhar e ficar acordado
Tem uma coisa em mim que dorme. Dorme quando vou e volto do trabalho, dentro do metrô lotado; dorme no final de cada mês, quando o dinheiro é curto. Essa coisa, essa parte de mim que dorme, pede para dormir, pois dormindo sonha e sonhando vê de forma diferente; vê da forma que gostaria que fosse.
Mas há outra parte, a que fica acordada. Essa parte sente e sabe que sonhar é importante, mas quer ficar acordada. Pede e exige ficar acordada, porque assim pode fazer algo concreto sobre os sonhos; sabe que pode tentar torná-los realidade.
Mas há outra parte, a que fica acordada. Essa parte sente e sabe que sonhar é importante, mas quer ficar acordada. Pede e exige ficar acordada, porque assim pode fazer algo concreto sobre os sonhos; sabe que pode tentar torná-los realidade.
3 de out. de 2010
A melhor coisa desse domingo
Quem conhece pelo menos um pouco meus gostos literários, sabe que um dos meus autores favoritos é o uruguaio Eduardo Galeano. E, porque eu queria falar com ele de alguma forma, decidi lhe enviar uma carta.
Então, nesse domingo, ao abrir minha caixa de email, deparei com uma mensagem dele. Como posso descrever o que senti quando vi que Eduardo tinha me enviado um email? Alegria, muita alegria.
Esses dias, eu estava mesmo pensando o que teria acontecido pra que ele não tivesse (ainda) me respondido, fosse com outra carta, com um email ou, quem sabe, com sinais de fumaça. Eu me sentia um pouco triste e ansiosa por uma resposta. Em minha carta tentei expressar a minha admiração em poucas palavras, coisa difícil para mim. E por que a falta de resposta? Eduardo teria me achado invasiva? Teria acontecido algo com a carta? Será que eu teria enviado para o endereço errado? Ora, havia a possibilidade disso acontecer, afinal eu havia conseguido o endereço dele na Internet (!).
Mas, como me explicou Eduardo, ele voltou de uma longa viagem e só então leu minha carta. E sua resposta chegou. Veio num dia chuvoso e cansado; veio tão agradável, tão bonita! Veio, sem dúvidas, como a melhor coisa desse domingo.
Esse texto também está no Projeto Nulla Dies Sine Linea
Então, nesse domingo, ao abrir minha caixa de email, deparei com uma mensagem dele. Como posso descrever o que senti quando vi que Eduardo tinha me enviado um email? Alegria, muita alegria.
Esses dias, eu estava mesmo pensando o que teria acontecido pra que ele não tivesse (ainda) me respondido, fosse com outra carta, com um email ou, quem sabe, com sinais de fumaça. Eu me sentia um pouco triste e ansiosa por uma resposta. Em minha carta tentei expressar a minha admiração em poucas palavras, coisa difícil para mim. E por que a falta de resposta? Eduardo teria me achado invasiva? Teria acontecido algo com a carta? Será que eu teria enviado para o endereço errado? Ora, havia a possibilidade disso acontecer, afinal eu havia conseguido o endereço dele na Internet (!).
Mas, como me explicou Eduardo, ele voltou de uma longa viagem e só então leu minha carta. E sua resposta chegou. Veio num dia chuvoso e cansado; veio tão agradável, tão bonita! Veio, sem dúvidas, como a melhor coisa desse domingo.
Esse texto também está no Projeto Nulla Dies Sine Linea
12 de ago. de 2010
Olhares/02
Quando nos conhecemos, ele tinha o olhar cansado, triste. Olhar de quem parecia que ia se matar a qualquer momento.
Eu puxei assunto com ele e ele me deu um de seus trabalhos. Esse homem, artista gaúcho, se chama Jones.
Durante o tempo em que morei na Glória, eu sempre o via. O mesmo olhar. Eu pensava em lhe dar um oi, mas sempre deixava pra lá.
E hoje, eu o vi. E ele me olhou. Ele me olhou, eu disse "oi" e ele me respondeu. Alguns minutos depois, passei pelo mesmo local e lá estava ele, parado com um de seus pássaros feitos de cartolina e arame. Um pássaro gracioso que eu comprei para um amigo.
- Jones, eu me lembro que um dia você me disse que é gaúcho...
- Eu sou de Porto Alegre. Você também é?
- Não... Você não tem vontade de voltar para lá?
- Só a passeio, mas não tenho dinheiro.
- Por que você não se cadastra para viajar de graça pela Base Aérea? Você desce em Canoas...
- É, vou ver isso.
O mesmo olhar triste, a mesma expressão de cansaço. Quando parti, ele me disse: "Tchau, amiga. Vai com Deus". E me beijou a mão. E eu pensei na solidão daquele homem, como eu, um forasteiro no Rio de Janeiro, e por um momento, a solidão dele se confundiu com a minha, que tem outro formato, mas não deixa de existir.
Eu puxei assunto com ele e ele me deu um de seus trabalhos. Esse homem, artista gaúcho, se chama Jones.
Durante o tempo em que morei na Glória, eu sempre o via. O mesmo olhar. Eu pensava em lhe dar um oi, mas sempre deixava pra lá.
E hoje, eu o vi. E ele me olhou. Ele me olhou, eu disse "oi" e ele me respondeu. Alguns minutos depois, passei pelo mesmo local e lá estava ele, parado com um de seus pássaros feitos de cartolina e arame. Um pássaro gracioso que eu comprei para um amigo.
- Jones, eu me lembro que um dia você me disse que é gaúcho...
- Eu sou de Porto Alegre. Você também é?
- Não... Você não tem vontade de voltar para lá?
- Só a passeio, mas não tenho dinheiro.
- Por que você não se cadastra para viajar de graça pela Base Aérea? Você desce em Canoas...
- É, vou ver isso.
O mesmo olhar triste, a mesma expressão de cansaço. Quando parti, ele me disse: "Tchau, amiga. Vai com Deus". E me beijou a mão. E eu pensei na solidão daquele homem, como eu, um forasteiro no Rio de Janeiro, e por um momento, a solidão dele se confundiu com a minha, que tem outro formato, mas não deixa de existir.
Olhares
Tem olhares que eu capturei com meus próprios olhos. Às vezes, me dá uma angústia porque não pude gravá-los com uma lente.
São sempre olhares marcantes.
Um desses olhares foi o do ser andrógino que me encarou numa noite carioca de 2008. Desci do ônibus na Praça Paris, na Glória, sem imaginar que um dia esse bairro me serviria de morada. Na época, fui olhar uma vaga e, no caminho, eu o vi. Estava parado à meia luz e usava um sobretudo. Quanto mais eu me aproximava, mais pensava que ele iria se virar e abriria o sobretudo para que eu olhasse seu corpo nu. Mas o que ele fez me surpreendeu mais ainda: ele me encarou. Eu não saberei nunca traduzir bem aquele olhar azul. Era uma mistura de indagação com surpresa e também com audácia... Olhar que eu nunca mais vi na vida, nem naqueles olhos azuis e nem em outros olhos.
Não capturei esse olhar com uma câmera, mas ele está gravado na minha memória e toda vez que passo pela Praça Paris, eu me lembro dele e me surpreendo igual.
São sempre olhares marcantes.
Um desses olhares foi o do ser andrógino que me encarou numa noite carioca de 2008. Desci do ônibus na Praça Paris, na Glória, sem imaginar que um dia esse bairro me serviria de morada. Na época, fui olhar uma vaga e, no caminho, eu o vi. Estava parado à meia luz e usava um sobretudo. Quanto mais eu me aproximava, mais pensava que ele iria se virar e abriria o sobretudo para que eu olhasse seu corpo nu. Mas o que ele fez me surpreendeu mais ainda: ele me encarou. Eu não saberei nunca traduzir bem aquele olhar azul. Era uma mistura de indagação com surpresa e também com audácia... Olhar que eu nunca mais vi na vida, nem naqueles olhos azuis e nem em outros olhos.
Não capturei esse olhar com uma câmera, mas ele está gravado na minha memória e toda vez que passo pela Praça Paris, eu me lembro dele e me surpreendo igual.
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