8 de jul. de 2009

Poeminha/2.



Tudo que eu queria
era ver o mundo.
Tudo que eu queria
era jogar fora o guarda chuva
e o sobretudo.

TF*
02/10/2005.

7 de jul. de 2009

Enfim, casa nova.

Enfim!!
Mudança à vista! Iupi! Supimpa!!
Acabei de ser informada que nosso contrato está pronto!

E no sábado, depois de meses de procura, stress, resmungos, choro, negociações e tudo mais, irei pra um cantinho que posso chamar de meu (ainda que alugado) ou de nosso ou de ambos, só depende do dia.

Glória, situada entre Catete e Lapa, será palco da nova saga Tatyanesca que se instala daqui pra frente.

Vamo que vamo!

Baú do blog/2.

Eu costumava escrever bem (quanta modéstia, hein?!). Ainda mais quando falava da minha tristeza...
Hoje, a tristeza passou. O que me pega agora é outra coisa, uma coisa mais complexa, que ainda vai ser postada aqui.

Do meu caderninho de rascunhos... 17/04/05
O silêncio era avassalador. Ele não dava uma palavra e ela, antes tão falante, também não ousava balbuciar algo, uma bobagem que fosse, só pra tornar a curta viagem mais agradável.
A sensação que tinha era que devia falar, procurar o que dizer, mas não encontrava palavras, não encontrava forma de puxar assunto. Achava que o silêncio o incomodava, já que incomodava a ela, mas não dava o braço a torcer. Aliás, a questão não era de teimosia, era pior. Instalava-se nela, dia após dia, uma quietude irritante. A quietude a fazia emudecer, lhe tirava o sono e lhe dava olheiras.
Ele puxou um assunto qualquer. "Até que enfim, agora a conversa fluirá", ela pensou. Pensou errado.
Durante todo o caminho, o silêncio prevaleceu. Ela se culpava, se achava estúpida, antipática. Por que não conseguia falar alguma coisa? Puxar um papo que durasse mais que 2 minutos! Simplesmente não encontrava forças para tal fim, não havia o que conversar.
Sentiu-se péssima. A noite toda fora assim. Por vários momentos, ela pensou que não devia ter saído de casa, que dormir era a melhor opção. Porém, não costumava ouvir sua intuição. Agora, passava por uma jornada deveras incômoda, de falta do que dizer e de comentários sobre o que se passava com ela. E o que se passava com ela afinal?Mais de um mês no mesmo estado. Seria caso de médico?
Os altos e baixos no humor lhe indicavam que não - todo mundo tem seus dias.
Quando sentia-se bem, queria pular, cantar, correr, ler, escrever, dançar, viver... Quando sentia-se mal, queria fazer terapia e o escambau. O humor, entretanto, passou a mudar de forma mais constante.
Engoliu suas palavras e multiplicou-as todas no papel.
Tudo que fazia agora era escrever. Sentia em si um imenso vazio, que acreditava, otimista, ser passageiro. Depois de um mês, começava a ter severas dúvidas. Sentia que estava perdendo seu tesouro mais precioso: sua essência. O jeito espontâneo de olhar e falar estava dando lugar a alguém triste, melancólico. No fundo, sabia o que se passava consigo, mas não queria conversar sobre, embora indagações fossem feitas a cada semana.
Tornou-se insone, passou a tomar remédio pra dormir.
Estava ficando cada vez mais longe do que queria ser.
Até que, de súbito, resolveu que não incomodaria mais.
Queria ficar sozinha.
Não sabia como fazer aquilo passar. A sensação de vazio, a tristeza, a quietude irritante estavam criando raízes. A única coisa na qual pensava era dormir. Dormir um sono pesado, por horas, dias, talvez meses. Hibernar. Mas não era urso, era só alguém que estava se desapaixonando pela vida.
Seu espírito estava doente.
Como numa comparação que vira num filme, seu corpo estava flutuando no rio chamado vida. Esbarrava em troncos e pedras e não conseguia evitar isso. Paralisada, sem vontade própria, maltratando o corpo e, pior, o espírito. Estar viva era só existir, de repente. Essa sensação ia e vinha, mas dessa vez alcançava uma intensidade assustadora.
Os remédios pra dormir lhe davam o sossego temporário.
Entretanto, remédio algum seria capaz de curar o que sentia em seu âmago, e que agora externava-se. Seu interior estava enfermo. Ninguém tinha culpa, mas a doença estava lá, monstruosa.
A questão não era quanto tempo suportaria, mas se viveria assim para sempre. Onde estava aquela menina otimista?
Onde está ela? Onde estou eu?

Baú do blog/1.

Depois de encontrar meu antigo blog, estou relendo os meus textos. E alguns serão republicados no espaço virtual.
Um deles:

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Uma vez, quase coloquei a calcinha pra secar na geladeira.
Doutra vez, quase comprei cevada ao invés de café e milho no lugar de feijão. Cheguei perto de jogar minha escova de dentes no lixo.
Já fiz confusão com nomes, incluindo gênero: chamei um desconhecido de 'moça'... Tudo bem que parecia uma, mas eu podia ter tido mais atenção.
Também chamei pelo menos um amigo de 'mulher'.
Sempre esqueço de pôr as meias pra lavar.
Também é costume esquecer de fazer o que me pedem.
Ah, meu peixinho Moby Dick - que Deus o tenha - morreu porque esqueci de limpar o aquário e dar comida... por uma semana!!
Não sou do tipo que 'pega as coisas no ar', embora já 'tenha jogado verde pra colher maduro'.
É, eu sempre fui desleixada e distraída, mas ninguém venha me acusar de esquecer aniversários!
Até que me acho bem na minha bagunça e meus cds são organizados por ordem alfabética.
Eu tinha que compensar com algo, né??

Post-que-virou-scrap-que-virou-post.

Começou com scrap recebido de Gladson:
"Lembra da gente dançando e gritando "Uh, é o shalk04!!" em frente ao apartamento de um amigo do Filipe, lá perto da UFC?

Lembrei de onde tirei a idéia: tem um vídeo da Rita Lee dançando com o Arnaldo Baptista e o Sergio Dias dançando ao lado, coisa mais linda, que representa bem Os Mutantes e o modo como eles eram unidos.

Se nós fossemos os mutantes, vc seria a Rita Lee."

E em outro scrap mais curto, ele perguntou se eu tinha Twitter.

E aí, eu respondi.
Mas foi uma resposta digna de post. Aí, fiquei sem saber se viraria mesmo post ou se seria só scrap. Na dúvida, pensei, deixo que seja os dois! (a seguir)

"Post-hesitante-que-acabou-como-scrap-que,-no-final,-vai-acabar-virando-post-do-meu-blog-mesmo:
Esses dias, o Gladson me mandou um scrap perguntando se eu tinha Twitter. Eu disse que não possuo tal modernidade. E é verdade. Eu nem sei que porra é essa de Twitter. Fiquei me sentindo o Seu Lunga virtual. Que brabice, que ignorância a minha não saber o que é Twitter! Mas é pra isso que serve o Santo Google. Deus no céu, Google na terra! É isso mesmo! Eu vou procurar sobre o Twitter no Google e ele vai me dizer tudo a respeito desse negocinho aí. Mas vai ter que ser outra hora, afinal eu preciso trabalhar. Vejamos... O que foi mesmo que o chefe me mandou fazer agora?...
Ah, mas voltando ao Gladson. Ele me mandou também um outro scrap, esse maior, relembrando uma noite legal pacas, em que eu fui a “04”. Estavámos em 03, mas ainda assim, éramos 04 e esse era o número designado a mim e a idéia de gritar na rua pra acordar o amigo do Filipe, que coisa doida. E hoje, com o scrap do Gladson, eu soube que, se fôssemos os mutantes, eu “seria a Rita Lee”. Eu posso com um elogio desses? Gosto da Rita, da postura dela como artista e das músicas. Como diria Mark Twain: “De um bom elogio, posso viver dois meses”. Viva o Gladson, viva o "uh, é o shalk04!!". E viva aquela noite memorável." :)