28 de fev de 2009

Bichos de estimação/1

Caiu da árvore do quintal vizinho. Meu pai o encontrou e disse:
- Pode ficar com ele, mas vai ter que cuidar.
Pela primeira vez, me dediquei de verdade a cuidar de um bichinho.

Era um pássaro pequeno, ainda filhote. Ninguém conseguiu identificar se era um pardal ou uma rolinha.

Os dias passaram. O passarinho parecia bem. Dormia numa rede que eu mesma improvisei. Eu dava a ele pequenos pedaços de pão, molhado no leite.

Uma manhã, acordei e ele estava morto. Do alto de meus 08, 09 anos, eu chorei. Nossa, como chorei. Quando morria um bicho de estimação (sempre morria!), eu nunca chorava, mas dessa vez foi diferente.

Ele foi enterrado no quintal, dentro de uma caixa de sabonete. Minha mãe disse alguma coisa pra me consolar, mas eu só parei de chorar quando os olhos cansaram. E uma hora, eles sempre cansam. Sempre.

27 de fev de 2009

Homens/2

Ele era ator, tinha lindos olhos (entre mel e verde) e cabelo grande. E melhor: beijava bem, muito bem. Chamava-se Fernando.
Sozinha entre ele e nosso amigo em comum, eu pensava bobagem. Era - e é - inevitável. Eu já tinha tido o prazer de beijar o Jânio algumas vezes, mas não o Fernando. Aliás, o Jânio tinha acabado de me apresentar a ele. Então, nessa ocasião, entre cigarros de menta e cervejas, Fernando foi meu par.
Foi uma noite meio fora do comum. Eu, que odeio cigarro, quis saber qual era o gosto de um mentolado. O Fernando tentou me ensinar a tragar. Foi em vão. A gente se beijava com um tesão doido. Eita, coisa gostosa.
Depois dessa noite, comentei com ele:
- Eu sou meio avessa a compromisso, mas sempre quis namorar um Fernando. Assim, quando perguntassem: "Vocês estão namorando?", eu responderia: "Estamos TATYNANDO (Taty + Nando)".
Ele disse:
- Que lindo, Taty.

Essa foi uma das últimas coisas bonitas que eu disse a ele. Nossos caminhos não se cruzaram mais, mesmo a gente morando na mesma cidade. Acontece, que se há de fazer?

Agora me ocorreu algo: até hoje nunca namorei um Fernando.
Mas até hoje, quem diria, tem um que não me sai nunca da cabeça e da cabeceira: um certo Fernando Sabino...

25 de fev de 2009

Estrada/1

Eu tinha só 6 anos quando meu pai decidiu que iríamos ao Paraguai. Era moda excursionar lá e voltar cheio de muamba.
Levamos umas 2 semanas viajando de ônibus. Não lembro muita coisa, só me recordo que gostava de comer na beira da estrada e que detestava tomar banho com o banheiro cheio de gente.

Uma noite, um passageiro quase pisou na minha cabeça. Eu dormia no chão, num colchão. Depois disso, meu pai mandou que eu dormisse com a cabeça sob os pés dele e de minha mãe. Nossa, que idéia extraordinária ¬¬ Bom, mas se alguém tinha que pisar na minha cabeça, antes meus pais, não qualquer desconhecido.

Até hoje minha mãe conta que visitamos também a Argentina (Puerto Iguazu, acho), mas eu não tenho lembranças sobre isso. Minha maior e melhor recordação dessa viagem foi em Foz. Quando chegamos, era um dia de chuva. Não se podia passear de barco e tampouco era possível ver um arco-íris. Mas eu lembro desse dia porque fiquei impressionada com aquela água toda. Falei para minha mãe:
- Vamos descer e nadar?
Ela riu.
Não sei porque eu disse isso, afinal, nadar não era (e não é!) meu forte. Talvez eu só quisesse ver aquela queda d'água mais de perto.

Em Foz, também visitamos uma loja onde vendiam chocolates. De todos os tipos, tamanhos e gostos. Preciso dizer que me esbaldei?

Fiz uma amiga chamada Larissa. Juntas, cantávamos "Era um garoto que como eu...", na voz de Humberto Gessinger, enquanto o sol se punha na rodovia.

Acho que foi aí que começou minha paixão... Não por quedas d´água, nem por chocolates, nem por Engenheiros do Hawaii. Começou algo maior, que dura até hoje: a paixão por viajar.

Ah, uma coisa legal nessa viagem ao Paraguai (fora os chocolates): minha cabeça não foi pisada uma única vez.

Homens/01

Era carioca e malandro, muito malandro.
Em nossa primeira (e última) noite juntos, brigou com um holandês dono de boate, vendeu remédio pra um italiano como se fosse cocaína, encarou um ladrão que felizmente estava desarmado...
- Mostra o teu que eu mostro o meu! - ele disse, enquanto que eu já pensava em me jogar no mar que estava logo à minha frente.

Depois de enganar o italiano, fugimos da vista dele no primeiro táxi. Com o resto do dinheiro, pagamos um motel fuleiro. Entre uma conversa e outra, ele disse:
- Vou dar um jeito de voltar pra Europa. Vem pra Espanha comigo?

O carioca me contou dos últimos anos, quando, ainda no Rio, vendia remédios (Sonrisal pisado, por exemplo) como se fossem drogas:
- Os gringos não podiam reclamar e muito menos me denunciar. Sou filho de policial, então a polícia me protegia, afinal, meu pai era conhecido e eu não era traficante de verdade, estava era sugando a grana dos gringos mesmo. E isso, os PMs apoiavam.

Depois de ganhar um bom dinheiro enganando estrangeiros, ele se meteu com uma suíça, foi embora pra Europa, teve uma filha com ela, se separou, foi deportado. Quando nos conhecemos, estava fodido.

Chamava-se Alan e era muita confusão numa pessoa só. Muito mais problemas do que eu poderia suportar ou mesmo querer. Tinha costas largas e um corpo bonito, mas não era o deus do sexo. Deixei o celular desligado durante dias, até que ele se 'autodeportasse' de Fortaleza. Desde então, nunca mais o vi e espero que a vida continue deixando nossos caminhos bem separados.

"Eu digo calma, alma minha..."

Esse carnaval foi um dos mais tranqüilos dos últimos anos. Depois do convite tentador da Raísa ("Taty, vou pra Angra na segunda. Se quiser, vai e leva o Dudu que tem lugar pra vocês!"), depois de fazer contas e procurar lugar no Rio, acabei indo pra serra mesmo. Lá, vi filmes em dvd (da coleção do Fernando, tio do Dudu), fui a buliçosa de sempre, enquanto que o pet precisava mesmo era descansar (merda de hepatite A!). :/

A vontade era de pegar uma carona e curtir os dias por aí, vendo coisas e levando o mundo nas costas, maaaas... o Dudu precisava descansar e eu sabia disso, o que explicitei numa mensagem: "Se você fosse virado da pá por carona que nem eu e não precisasse de repouso, eu te arrastava pra estrada".

Depois, já na serra, ele me respondeu que topava a estrada; o foda era ter que repousar, pra não se lascar de vez. Então, concordamos que o importante era estarmos juntos e combinamos que na próxima vez, a estrada não nos escapa!

E isso será logo: no meu aníver! Ouro Preto, aí vamos nós! ;)
(E talvez dê pra esticar e visitar um certo Sabino em BH).

20 de fev de 2009

Mas é carnaval...

Até quarta-feira, nem venha me procurar!
Estarei por aí com meu pet malino! :D \o/

E viva o Carnaval!

:D:D:D

Iupiiiiiiiiii!

Folga até quarta-feira! --> Um tempinho pra chamegar, dar e receber cafuné e outras coisas mais! ;)

12 de fev de 2009

Oh yeah.

Arranjei emprego, oh yeah.
O horário é puxado, mas o salário não é mau. E olha, se eu não prezasse tanto minhas horas de sono, arranjaria trabalho pra noite também. Mas não rola cochilar por 03 horas durante mais de 02 dias... Se eu não durmo bem, fico um trapo e meu humor se altera... Pra pior, lógico.

Queria tempo para contar sobre meus primeiros dias na empresa e sobre a semana... Adiantando: as pessoas da Sergio Castro Imóveis têm sobrenomes exóticos, o diretor que fica na mesa ao lado da minha é meu novo professor de italiano e francês (quem mandou puxar papo, hein? hehe), eu fui almoçar num restaurante de bárbaros...

Enfim, parece que as coisas começaram a se acertar na Cidade Maravilhosa.

Iupiiiii!
Supimpa! ;p

3 de fev de 2009

Morte.

O que é a morte, afinal?
Pra você, eu não sei, mas pra mim, é só uma outra forma de vida.

Minhas conversas com Deus não são muito produtivas, mas isso não me impede de acreditar em vida após a morte.

Mesmo assim, sempre que recebo notícias sobre o funeral de alguém conhecido, me surpreendo. Não foi diferente no sábado, quando Kylvia me avisou sobre o pai da Débora.

O nome dele mesmo era Seu Britto, mas pra mim será sempre "pai da Débora".

Lembro que quando eu aparecia sem avisar e Deb não estava em casa, ele me convidava pra esperar e tomar o "café das cinco".

Ele tinha um ritual preciso pra preparar o café: primeiro o leite em pó, depois o nescafé, o açúcar e daí, molhava a colher com água quente, pra enfim mexer tudo calmamente.

Lembro também de quantas vezes eu lhe disse:
- É hoje que o senhor vai me dizer o que os maçons fazem, né?
Ele ria:
- Vamos tomar café.
Débora comentava:
- Meu pai tá te enrolando, sabia?
- Ah, que nada. Ele ainda vai me contar. Meu pai não me contou, mas ele vai dizer. Não vai?

Ele respondia:
- Depois, depois.

Um dia, falei:
- Por que as mulheres não podem saber sobre as coisas que os maçons fazem?
A resposta foi curta:
- Porque falam demais.

Tive que revidar:
- Eu não falo demais. Juro! Se o senhor me contar, não vou dizer pra ninguém.

A verdade é que ele nunca me contou. O mais perto que chegou sobre falar de maçonaria comigo foi quando me mostrou a gravata (própria) que usava nas reuniões.

Depois que eu soube da morte dele, mandei um email para Débora:

"Eu soube do teu pai através da Kylvia e quero dizer: meus pêsames. E também quis te mandar um texto sobre isso, a morte... Espero que goste dele tanto quanto eu gostei daquele que tu me mandou sobre "o porteiro do puteiro" (nossa, ficou estranho "puteiro" e "pêsames" na mesma mensagem, né? mas eu não vou apagar não, caso contrário, não seria eu ;p ).
Beijos.
Cuide-se.
Taty.

Segue o texto logo abaixo:
Quando observamos da praia, um veleiro afastar-se da costa, navegando mar adentro, impulsionado pela força dos ventos, ele nos parece cada vez menor. De repente só podemos contemplar um pequeno ponto branco onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir no horizonte certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado?

Não certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não podemos mais vê-lo.

Mas ele continua o mesmo. Talvez, no exato instante em que alguém diz "se foi", haverá outras vozes, mais além, afirmar: "lá vem o veleiro". Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos "já se foi".

O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu, suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que,no mesmo instante em que dizemos "já se foi", no mais além, outro alguém dirá feliz "já está chegando".

Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.

Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que resolve por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de chegadas e partidas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Um dia, partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro, partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós".


Apesar de acreditar em vida após a morte, acho que aquele tempo de cafés e perguntas sobre maçons continuarão a me fazer falta...

P.s.: Esse texto é de um site que eu visito de vez em quando e que tem bons artigos: Somos todos um.